Quem disse que a vida começa aos quarenta?

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Hoje, vivemos o auge da longevidade onde para muitas pessoas chegar ou passar dos cem anos é uma grande possibilidade, embora nossa expectativa de vida seja de 80 anos, pela média do IBGE. E por que ainda pipoca nas redes sociais, na mídia e no cotidiano a famosa frase de que a vida começa aos quarenta? Claro que isso tem diminuído, porém não dissipado da memória coletiva. O bordão “A vida começa aos quarenta” é o título de um livro de autoajuda que se popularizou em 1931 nos Estados Unidos, do escritor Walter B. Pitkin e depois virou febre em outras obras e ganhou o mundo. A ideia do livro era mostrar que o último terço de vida poderia ser maravilhoso, desde que a pessoa tivesse os mínimos cuidados de saúde. Isso numa época em que a expectativa de vida dos americanos era de 60 anos. Mas não foi Pitkin quem cunhou a frase.

No Século XX a Sra. Theodore Parsons, que foi diretora Física de Escolas em Chicago usou a frase especificamente para mulheres. Foi com a entrada dos EUA na Primeira Guerra Mundial em 1917 que ela emitiu suas opiniões na imprensa americana. Em abril daquele ano, o jornal The Pittsburgh Press publicou um artigo sobre a Sra. Parsons e suas opiniões objetivas sobre os benefícios de um programa de exercícios vigorosos que ela adquiriu de seu marido soldado. "A mulher comum não sabe respirar, sentar-se, ficar de pé ou andar. Agora quero que as mulheres se treinem para as tarefas especiais que podem recair sobre elas em tempos de guerra. A morte começa aos trinta anos, ou seja, a deterioração dos conjuntos de células musculares. A atenção à dieta e ao exercício permite que homens e mulheres vivam muito mais tempo. A melhor parte da vida de uma mulher começa aos quarenta anos.” Finalizou.

No entanto, é preciso voltar ao século XIX para encontrar a origem da frase. O grande filósofo alemão Arthur Schopenhauer chegou perto disso com sua visão: "Os primeiros quarenta anos de vida nos dão o texto, os próximos trinta fornecem o comentário." Eis a origem da frase numa época em que não se tinha tempo para envelhecer. Schopenhauer viveu 72 anos.

Agora, você que está prestes a completar 40 ou próximo disso e se pergunta se a mudança é assim, como no dito popular, não se apegue. Não tem uma chave que vira a partir dos 40 anos. É certo que desde uma certa idade adulta começamos a ficar maduros, porém não há regras e nem limite de idade para que se estabeleça um período de nossa vida em que a consciência se abre feito um leque espanhol. Envelhecer não é sinônimo de maturidade, pois é possível ver pessoas acima de 60 totalmente infantilizadas. Pessoas que já passaram dos 40 e continuam achando que a força da juventude continua e o medo nem chega perto. A maturidade ou a tomada de consciência depende do nosso autoconhecimento e do olhar coletivo. Isso pode se dar em qualquer momento da vida, até mesmo, para alguns, na adolescência.

Fato é, que ficamos mais seletivos à medida que envelhecemos, sim. Algumas situações acontecem com o avanço do tempo e isso também é sentindo nas dores aqui, nos problemas acolá, portanto, cuidar da saúde é o mínimo que se espera para poder envelhecer com qualidade de vida. Envelhecer é um processo doloroso e precisamos ter cuidado para não cair nas armadilhas das narrativas positivistas do mercado, do marketing e da era prateada que romantiza o idoso com estereótipos perigosos.

Não existe milagres. A vida não começa aos 40, mas com certeza você estará mais consciente antes mesmo dessa idade. A grande sacada é o autoconhecimento para a tomada de consciência coletiva. Ler o mundo sem preconceito e sem amarras e entender que temos fragilidades físicas que afloram com o tempo: para uns mais e para outros menos. Então, a saúde em primeiro lugar, digo, a saúde física, psicológica, espiritual, mental e claro a financeira.

Quando fiz 40 anos, não aconteceu nada além de continuar com os mesmos vícios e comportamentos abusivos na alimentação, no sono. E por estar num momento profissional promissor, achava que tudo continuaria do bom e do melhor para sempre, amém. Mas não. Só quando fiz o Caminho de Santiago de Compostela na Espanha aos 45 anos é que me dei conta de muitas questões, mesmo assim a minha chave do despertar da consciência fez um leve movimento para a maturidade. Ainda precisei de mais tempo para encontrar um certo equilíbrio e paz de espírito, porém isso me custou boa parte daquela saúde: física, psicológica, financeira etc. Agora aos 62 não tenho pressa em nada porque compreendi que viver a vida é um processo constante de aprendizado que só termina quando a morte chega e isso, não há calendário que identifique.

Não, a vida não começa aos 40 e sim agora e sempre. Todos os dias. Viva com intensidade, com amor e desprendimento em seu coração.

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